As limitações do presidente Obama

Obama tem feito uma defesa apaixonada do investimento em energia limpa

(Por Lincoln Pinheiro)
 
Ninguém pode negar que a eleição de Bararack Obama para a presidência da maior potência econômica e militar de todos os tempos representa uma revolução na política e na moral.

Isto porque nos Estados Unidos ainda existe um apartheid social, dado o distanciamento social entre brancos e negros e a ausência de miscigenação, apesar da igualdade de direitos reconhecida a duras penas e depois de muitos linchamentos por parte da  Ku Klux Klan.

Muitos estão frustrados com os poucos avanços da política externa estadunidense desde que George Bush deixou a Casa Branca.

Mas a margem de manobra do presidente negro é pequena em um país em que a comunidade judaica, tão influente e poderosa financeiramente, apoia incondicionalmente a política sionista do beligerante Estado de Israel.

Daí o recuo da chancelaria estadunidense diante do acordo celebrado por Brasil, Turquia e Irã acerca da utilização de energia nuclear pelo país persa.

Depois de incentivar a negociação, os EUA negaram dar seu aval ao acordo obtido e utilizaram seu poder no anacrônico Conselho de Segurança das Nações Unidas para impor novas sanções econômicas ao Irã.

No passado recente, a desculpa de que o Iraque possuiria armas químicas foi utilizada como justificativa para invasão àquele país e à derrubada do presidente Saddam Hussein, antigo aliado das potências ocidentais.

Agora, qualquer pessoa com um mínimo de discernimento sabe que o país que possui arma atômica no Oriente Médio é Israel e não o Irã.

O presidente Obama utiliza com muita desenvoltura o Twitter – sua conta @BarackObama conta com mais de quatro milhões de seguidores – para se comunicar diretamente com o povo, sem precisar da mediação da grande mídia.

Pelo seu twitter o presidente Obama tem feito uma defesa apaixonada do investimento em energia limpa, especialmente depois do vazamento de toneladas de óleo no Golfo do México, provocando um imenso desastre ecológico.

Mas se o presidente dos EUA apoia o uso da energia limpa, por que a ameaça de intervenção militar no Irã, um grande produtor de petróleo?

Não é preciso muito esforço de raciocínio para perceber que aos senhores das armas, a indústria bélica, não interessa a paz, mas a guerra, seja qual for o motivo e mesmo que não haja motivo.

A grande imprensa brasileira, que trata todo seu público como se Homer Simpson fosse, aplaude a imposição de sanções ao Irã, apesar dessas medidas poderem afetar os interesses de empresas brasileiras que exportam para aquele país asiático. E isso apesar dessas empresas exportadoras anunciarem nesses moribundos meios de comunicação, cada vez com menos leitores e cada vez mais dependentes de receitas de publicidade.

Quem são os verdadeiros Homers Simpsons?

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