Crise do Euro e Futebol

Depois da Grécia, parece que Portugal e Espanha serão os novos alvos de ataques especulativos

(Por Lincoln Pinheiro)
 
A solução ortodoxa imposta aos gregos pelo FMI – Fundo Monetário Internacional –  e pela União Europeia não é novidade para nós, pois tal receita, corte de gastos sociais e economia orçamentária para pagar juros aos bancos internacionais, foi repetidas vezes aplicada na América Latina nos anos 80 e 90 do século passado.

O que estranha é que o povo grego, berço da civilização ocidental e que tantos sábios forneceu à humanidade, tenha caído no conto da especulação.

Se apelássemos para o misticismo pré-socrático, diríamos que o Cavalo de Troia foi devolvido aos gregos e eles passaram recibo.

Mas o que tem isso a ver com futebol?

Tenho afirmado em artigos publicados neste site que futebol não é só a bola, mas também é um fenômeno social, econômico e político.

Portugal e Espanha são dois dos maiores destinos de jogadores brasileiros.

Atualmente, muitos clubes europeus já se encontram fortemente endividados e, com exceção dos clubes controlados por gangsters como Sílvio Berlusconi e outros mafiosos, a tendência é que diminua o apetite do mercado europeu por jogadores sul-americanos.

Se o cenário pessimista se confirmar e se Portugal e Espanha sofrerem o mesmo ataque que atingiu a economia grega, será uma missão quase impossível colocar jogador brasileiro naqueles mercados, considerando-se, ainda, o câmbio valorizado que encarece as exportações.

O aumento da oferta de jogadores no mercado nacional abre aos clubes brasileiros uma oportunidade de ajuste na parte das despesas.

No lado das receitas a reeleição de Fábio Koff na presidência do Clube dos Treze, derrotando poderosos interesses econômicos que desejam a manutenção do status quo no futebol  brasileiro, representou a esperança de fortalecimento do caixa dos clubes. Haverá renegociação dos contratos de direito de transmissão das partidas de futebol e é possível que voltem as ligas regionais, com campeonatos mais rentáveis que os estaduais.

Já no lado da despesa ainda continuamos pagando salários dignos de astros de Hollywood a jogadores sem nenhuma intimidade com a bola.

Havendo este ajuste no futebol brasileiro – aumento das receitas e diminuição das despesas, com pagamento de salários mais compatíveis com nossa realidade econômica e social – chegaremos a 2014 com um futebol de melhor qualidade e com rentabilidade.

Os jogadores brasileiros não absorvidos pelo mercado europeu serão oferecidos aos clubes brasileiros a um custo menor que o atual.

Deixaremos de ver jogadores com nível de segunda e terceira divisão jogando nos clubes da primeira e recebendo salários astronômicos.

Espera-se que um outro fator fundamental no futebol também seja moralizado: a arbitragem.
Que tenha fim a mania de roubar!

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